sexta-feira, 5 de maio de 2017

Professora que virou catadora coordena cooperativa de reciclagem

O andar confiante de Cláudia Morais revela que o sonho virou realidade para ela. Há 20 anos, Cláudia era professora primária e se viu desempregada. Foi procurar no lixo um jeito de sobreviver. Começou catando sucata na rua com uma vizinha. "A gente começou separando latinha e ferro, que era o que dava mais dinheiro. Era um dinheiro bom que entrava”, conta.

Mesmo depois, já empregada de novo, Cláudia manteve o hábito. “É tipo um vício. Eu vejo latinha lá em casa, se eu tomo minha cervejinha, eu não vou jogar fora, eu vou juntando. Tem hora que vai dar um saco grande, eu sei que aquilo ali vai dar um dinheirinho.” Hoje, ela trabalha numa cooperativa, uma das mais organizadas de Brasília. Lá o sistema é diferente. Uma esteira é fundamental para tornar mais rápido o processo de separar o que pode ser reaproveitado. A esteira continua para dentro de um galpão e lá as catadoras organizam o material a ser reciclado.

Cláudia supervisiona o trabalho das catadoras na esteira. Um grande avanço para quem revirava o lixo nas ruas. Além da esteira, tem prensadeiras e até máquina de reciclar isopor. A cooperativa vai bem, mas nem sempre foi assim. Dez anos atrás, a empresa que financiava a cooperativa faliu. E da noite para o dia, os catadores ficaram sem dinheiro para tocar o projeto. “Essa época foi muito difícil”, lembra Mônica Licassali, coordenadora de projetos. Mônica trabalhava na área de recursos humanos na empresa que faliu e coordenava a ação social com os catadores. Quando perdeu o emprego, viveu um dilema: “É muito difícil às vezes decidir. A gente estuda, já estava na minha segunda faculdade. Eu sabia que eu poderia alcançar algo melhor financeiramente, mas o meu coração pedia para ficar.” Ela decidiu ficar e reorganizar a cooperativa com uma visão empresarial.

Atualmente, a cooperativa comercializa em média 200 toneladas de material reciclável por mês, que são vendidas diretamente para indústrias em outros estados. O faturamento chega perto de R$ 200 mil por mês. Mas Mônica ainda sonha com um futuro melhor para os catadores. “Que eles tenham centro de triagem para trabalhar, que eles tenham um banheiro para tomar um banho, água potável para tomar. Porque são seres humanos que merecem toda dignidade”, diz.

A esperança de tantas famílias está sendo construída nos arredores de Brasília. No aterro sanitário, o solo recebeu uma proteção - foi impermeabilizado para receber os resíduos sem contaminar o meio ambiente. A ideia, no futuro, é fechar definitivamente o lixão a céu aberto, onde Lúcia e Dona Raimunda trabalham. Mas elas e os outros catadores ainda terão de esperar mais pela estrutura ideal de trabalho. "A previsão que os galpões de triagem para os tratadores fiquem prontos entre agosto de 2017 e março de 2018. Enquanto as instalações dos catadores não estiverem prontas, as obras finalizadas, eles continuam no lixão", diz Paulo Celso dos Reis Gomes, diretor técnico - SLU.
Fonte: http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia

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