quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Professores compram títulos para participar de processos seletivos, progressão de carreira e aumento de salário

Informações da RBS TV
A reportagem do Jornal do Almoço na Globo flagrou professores de escolas públicas em Santa Catarina que compraram certificados de cursos de aperfeiçoamento para participar de processos seletivos e de progressão de carreira. A equipe comprou dois certificados para comprovar a fraude. Os títulos serão entregues ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Para participar de uma seleção de contratação temporária, é preciso realizar uma prova escrita e outra de títulos. Quanto mais qualificação, mais pontos na seleção. Os melhores posicionados tem direito, entre outros benefícios, a escolher a escola, turma e horário de trabalho. "Quando a gente questiona esse assunto e fala que não é certo, não acho justo, todo mundo diz: é normal", conta uma professora de uma escola de São José, na Grande Florianópolis.  Segundo ela, outros professores oferecem a venda de curso de formação continuada nas próprias escolas.
"Uma compra direta. A gente escolhe a área, paga o valor, que é correspondente a carga horária, e na semana seguinte recebe o certificado. Muita gente diz que nem estuda, sempre tem uma boa colocação porque compra o curso, tem sua vaga garantida", denuncia a professora. A reportagem procurou uma professora suspeita de vender certificados. Por telefone, ela confirma que realiza o comércio. "Tudo certificado do MEC, tá? O pessoal está fazendo de 300 horas porque os municípios estão pedindo 300, 250. Eu vendo desde 2010, aqui em São José, nunca deu problema".



A professora ainda conta que foi diretora-adjunta do colégio municipal Maria Luiza de Melo, conhecido como 'Melão', que conta com 2,3 mil alunos e 150 professores. Ela realizava a venda no local.  "Ali no Melão já vendi mais de 200 para a galera, para toda rede, sabe?", falou à reportagem. "95% não quer fazer o curso. Aí eles pagam R$ 25 pra fazer o curso. Eu tenho outra menina, ela faz.e no final eu te entrego. Aí vem teu nome, o curso, quantidade, o valor, tudo", disse a professora. A própria professora confessou ter fraudado o próprio certificado. "Eu garabito português, mas eu zero conhecimentos gerais porque não sou daqui, sou gaúcha. E eu faço todo ano o processo seletivo, e isso eleva bastante a minha classificação, tá? Eu até brinco com as gurias, coloca uma folha branca embaixo do travesseiro e uma caneta, e tu acorda o trabalho tá pronto", conta. Professores efetivos também estariam comprando certificados, mas para aumento de salário. Cada certificado tem um carga horária e quando o professor acumula um número fixo de horas de curso, ele recebe um aumento, uma progressão na carreira.
A gerente de articulação de pessoal da secretaria de Educação de Florianópolis, Gisele Pereira, informou que a situação do profissional denunciado será apurada. "Será encaminhado para a assessoria jurídica para [abrir] o processo de sindicância, processo administrativo disciplinar e, em paralelo, encaminhar para o Ministério Público”, disse Gisele. Em São José, a secretaria informou que será feito o mesmo procedimento administrativo. "Gostaria de recomendar principalmente aos educadores de Santa Catarina que sempre que houver uma percepção nas unidades escolares [de fraude], que registrem o fato na secretaria de Educação, para que a gente possa tomar uma resposta para essa situação envolvendo o Ministério Público nesta situação, para minimizar esses atos”, completou o diretor da secretaria estadual.                  Fonte: g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia



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