sábado, 24 de setembro de 2016

Entenda como serão contratados profissionais sem licenciatura com a nova regra do ensino médio

         
A medida provisória também trouxe uma mudança que chamou a atenção: um dos artigos incluídos na LDB autoriza profissionais de outras áreas e especialistas "com notório saber" a darem aulas nas escolas do país. Segundo o governo, a medida ajudará a preencher lacunas na educação básica. O texto enviado ao Congresso determina que essa atuação deve ser "reconhecida pelos respectivos sistemas de ensino" e restrita à formação técnica e profissional. Hoje, o ensino técnico é iniciado após a conclusão do ensino médio, mas a MP permite que as formações aconteçam simultaneamente.
         Segundo Rossieli, a medida não interfere nas disciplinas convencionais e não vai prejudicar professores que se especializaram em áreas como português, matemática, geografia e história. A intenção da mudança, segundo ele, é introduzir outros conteúdos para complementar a formação. "Você não tem, por exemplo, cursos de licenciatura em direito. Tem um caso aqui no Distrito Federal, de uma escola que colocou direito no currículo. Se não existe licenciatura em direito, como que você faz? Eles têm um problema", diz Silva. Neste caso, a MP prevê que um bacharel em direito comande a aula.

              Se aprovada pelo Congresso, a nova regra também permitirá que o "conhecimento popular", sem diploma formal, seja repassado em sala de aula. Como exemplo, o secretário de Educação Básica cita as "especialidades" desenvolvidas em determinadas regiões do país.

             "Lá no Amazonas, quando eu era secretário, o estado tentou fomentar um polo naval, havia gente de fora que queria investir no estado. A primeira coisa que perguntaram foi: cadê as pessoas qualificadas? O estado do Amazonas tem uma grande tradição em construção de barcos, especialmente em navegação de rio, mas essas pessoas não têm formação adequada. Os grandes especialistas que têm lá, que poderiam dar aula para esse tema porque têm uma experiência de vida sem igual, não podem", diz.

Nestes casos, caberá à secretaria de educação de cada estado definir o que é "notório saber" e quem estará autorizado a lecionar no ensino médio. "Para aula de matemática, de educação física, de sociologia, de filosofia, licenciatura plena é requisito legal e continua sendo requisito legal", garante.



Novo ensino médio

A medida provisória foi apresentada pelo presidente Michel Temer nesta quinta (22). As mudanças afetam conteúdo e formato das aulas, e também a elaboração dos vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
A previsão do Ministério da Educação (MEC) é que turmas iniciadas em 2018 já possam se beneficiar das mudanças. Até lá, as redes estaduais poderão fazer adaptações preliminares, já que o Ministério da Educação condiciona a implementação de pontos da reforma à conclusão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O ministro disse que a BNCC só deve ser concluída em "meados" de 2017.
Pela MP, apenas português e matemática terão que ser lecionados obrigatoriamente durante os três anos do ensino médio. A estrutura proposta prevê que, dos 36 meses letivos, apenas metade siga o currículo tradicional. No restante do tempo, o aluno poderá "focar" seu aprendizado na área em que pretende seguir carreira – ciências exatas, linguagens ou biologia, por exemplo.

A reforma também prevê o aumento da carga horária, com a expansão do ensino integral. Na escola "tradicional", os alunos têm quatro horas-aula por dia. No ensino integral, são sete horas. Quanto maior o tempo dentro da escola, maior a diversidade de atividades que podem ser desenvolvidas, segundo o MEC.
Fonte: http://g1.globo.com/educacao/noticia




19 comentários:

  1. "caberá à secretaria de educação de cada estado definir o que é "notório saber" e quem estará autorizado a lecionar no ensino médio." Aí é que começa a bagunça, pois a sec não quer se incumbir de nada!

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  2. Acredito que o maior problema é o NOTÓRIO SABE NADA, mal formado em pedagogia e licenciatura nos shoppings center hamburguerias de cursos aprovadas pelo MEC para atender o programa "universidade para todos). Por acaso quem não sabe não aprendeu quase nada pode aprender alguma coisa? E os correlatos dando aula de física, matéria que nunca estudaram?

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  3. A regra antiga do que pior que não ensinar é ensinar errado, será alterada e invertida.

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  4. Palhaçada
    Remunerando melhor o professor logo as lacunas serão preenchidas.

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    1. Remunerando melhor o professor? Se vão contratar pessoas sem diploma, justamente por isto 😉

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. O último a sair apague a luz por favor.

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  7. Na verdade tem dois lados ,quem se formou e se capacitou e tem o outro lado que tem muitas pessoas que tem amplos conhecimentos de determinados assuntos e não ensinam porque não tem diploma.Eu acredito que não seria uma perda aprender com quem tem conhecimento e experiência ,seria muito bom e também não deixar de lado quem se capacitou e se formou para tal.

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    1. Sim, verdade. Como o Alexandre Frota, por exemplo. 😂😂😂😂

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  8. Foi ótima a discussão sobre a MP com a Classe do Magistério, antes da publicação.
    Hehehehehe
    Ironia. Não houve discussão com a classe trabalhadora.

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  9. ESTAO EMPOBRECENDO O CURRICULO, PARA FAVORECER AS REDES PARTICULARES, A DISTANCIA ENTRE O ENSINO PUBLICO SE MANIFESTA E OS MENOS FAVORECIDOS VOLTARAO A TER MENOS VANTAGEM NAS OPCOES DE UNIVERSIDADES E EMPREGO, UMA LASTIMA, BASTARIA O GOVERNO VOLTAR A OFERECER OS CURSOS TECNICOS QUE O PROBLEMA SERIA RESOLVIDO A NIVEL DE ENSINO MEDIO, ESTA ERRADA A FORMA COMO ESTAO PENSANDO E FAZENDO, SENHOR TENDE PIEDADE DA EDUCACAO

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  10. Então não é preciso ter diploma, diploma falso passa a ter validade, basta ter "notório saber". Kkkkkkk

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    1. Isso vai estimular a corrupção. Quem vai controlar essa porra? Jezzzuis que cagada!

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  11. A Educação vai virar bico pra profissionais de outras áreas. Quem faz dela bico, não tem compromisso.

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  12. Deus me livre de ser professora ,profissão sem reconhecimentos por partes dos governantes ,fui mais prefiro passar fome, que voltar a ser professora !

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