quinta-feira, 25 de maio de 2017

Turmas mal comportadas tem levado professores a níveis alarmantes de estresse

No passado professores tinham que lidar com alguns alunos difíceis por turma, mas hoje as coisas se inverteram, e o que era exceção aos poucos foi se tornando a regra. Professores estão tendo que lidar com turmas fora de controle o tempo todo, em alguns casos, com mais da metade de alunos mal comportados por sala, sem respeito por regras e que desprezam qualquer tipo de autoridade.

Colocar limites em um ou dois alunos é uma coisa, mas em turmas inteiras todos os dias é outra completamente diferente. Ter que lidar com essa situação o tempo todo tem gerado um rápido esgotamento nos professores, o que geralmente ocorre quando um profissional se sente altamente estressado, emocionalmente exausto, cansado e indiferentes sobre o que acontece aos alunos.

Jovens rebeldes na escola são vistos em cada geração, e, embora  raramente dure até a idade adulta, pode ser difícil saber as razões por trás do comportamento disruptivo. Alterações no desenvolvimento do cérebro, hormônios, estresse e pressão dos colegas, todos desempenham sua parte em dar a um jovem uma razão para agir desafiadoramente. Mas então o que mudou?

É difícil explicar, visto que os motivos são diversos, mas o que tem sido consenso entre especialistas é que o grande aumento de famílias desestruturadas tem consequentemente gerado uma quantidade maior de crianças e adolescentes levando uma vida sem regras e limites básicos. E mesmo em famílias consideradas estáveis, a maioria dos pais trabalham a semana toda e não tem tempo de educar corretamente seus filhos. Seja como for a responsabilidade de colocar limites e regras tem ficado cada vez mais com o professor.

Professores são seres humanos, e há um limite para se expor uma pessoa a níveis altos de stress. Em muitas escolas ainda é comum colocar toda a responsabilidade no professor, ao dizer principalmente que o professor não tem controle de turma como um tipo de limitação profissional. Não tendo a quem recorrer e ainda com medo de ser demitido, o stress do professor aumenta e a queda no rendimento do profissional é inevitável, o que em muitos casos leva o profissional a perder o emprego.  “É mentalmente e fisicamente desgastante. É onerosa e demorada. É implacável e aparentemente interminável”, esse foi o comentário de um professor de ensino médio que já lidou com muitas turmas difíceis.

 'A vida em sala de aula tem uma natureza excepcionalmente estressante ", disse Stan Gilmore, do Instituto de Aconselhamento, em uma reportagem do The Guardian. "Os professores nunca podem baixar a guarda e são obrigados a exercer um nível de controle incessante sobre mais de 30 alunos. "A maioria dos professores, vão testemunhar que em algum momento em sua carreira de docente têm encontrado dificuldades em lidar com a pressão implacável para manter a ordem, levando ao tipo de exaustão emocional coloquialmente conhecido como um" colapso mental ".  John Bangs, chefe de educação na NUT, está preocupado com o impacto de tal pressão. Ele apontou para o suicídio, em julho passado, de Jed Holmes que foi encontrado morto, envenenado por monóxido de carbono, na véspera de uma inspeção. Colegas dele na escola primária em que trabalha, disse que os resultados do exame da escola tinham caído ligeiramente na sequência de uma ingestão de alunos extras e que Holmes tinha sido diagnosticado com depressão ligada ao estresse no trabalho. "As consequências humanas deste estresse excessivo sobre os professores são graves e de grande alcance", disse Bangs. 'Eles podem incluir sintomas físicos, mas também questões de saúde mental, incluindo ansiedade, depressão, insônia, a síndrome de burnout e um aumento do risco de suicídio. A maioria dos professores experimentam estresse no trabalho pelo menos duas a quatro vezes por dia, com mais de 75 por cento dos problemas de saúde dos professores atribuídos ao estresse.

O cenário que o professor como um todo enfrenta é de baixa remuneração, superlotação das salas de aula, aumento da indisciplina e do desrespeito, desvalorização social e  falta de estrutura e de recursos nas escolas. Essa pressão tem tido repercussões, esses profissionais não estão apenas deixando a profissão mais cedo, mas cada vez menos estão entrando nela. E muitos já colocam a carreira no ensino escolar como temporária, até que oportunidades melhores apareçam, como por exemplo, ingressar como docente em uma faculdade pública ou particular, onde o salário é mais atrativo e as possibilidades de crescimento profissional são maiores. A verdade é que não importa quantas reformas se faça na educação, a qualidade vai continuar caindo até que a carreira de professor seja verdadeiramente valorizada.

13 comentários:

  1. Enquanto o problema das familias não se resolver a situação só tende a piorar. Quem educa é pai e é mãe, e também são eles que dão os limites aos seus rebentos, se eles falham a sociedade padece e adoece. Se acontecer de um ou ambos, não terem recebido dos pais deles a orientação e os limites, então seus filhos serão pessoas insuportáveis...professores são os que mais sofrem com esses malcriados e ainda tios, avós, vizinhos, enfim, quem estiver por perto. O que melhoraria essa situação seria voltar a dar aos professores a autoridade que tinham antes e se os pais não gostarem de ver seu monstrinho disciplinado então o tirem da escola.

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  2. Cada dia fica mais difícil os professores desenvolverem o seu papel pois os alunos não tem limites em suas atitudes e comportamento além das turmas sempre com mais 35 alunos com seus celulares.??????

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  3. Cada dia fica mais difícil os professores desenvolverem o seu papel pois os alunos não tem limites em suas atitudes e comportamento além das turmas sempre com mais 35 alunos com seus celulares.??????

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  4. É exatamente esse o sentimento que percebo diariamente. Os alunos cada dia perdem o noção do respeito, ética e principalmente do seu papel em sala, em casa e na sociedade como todo. Papel este de evolução e não estagnação, onde a brincadeira e distrações externas são mais importante do que qualquer outra coisa. Realizar a Reforma do Ensino Médio apenas não adiantará se o que realmente a educação familiar mudar e principalmente se apitar a realidade, pais sendo verdadeiramente pais e preparando seus filhos para o mundo!

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  5. Como professor,confesso que meu desejo e jogar a toalha. Esta geracao que ai esta e a sintese de povo forjado ao longo das decadas! Nao vejo melhora a medio prazo...

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  6. Concordo colega Antonio. Os pais de hoje não conseguem ter autoridade sobre os filhos e sofrem os professores com a tirania de algumas crianças e adolescentes.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Não temos respaldo de ninguém no ambiente escolar. Se for em escola pública a situação piora.

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  9. Os tombos da educação são assim.

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  10. Na escola em que trbalho já virou rotina os professores sofrerem bulling nas mais diversas modalidades!Alguns de nós somos xingados dos piores palavrões e,zombados e desprezados e proncipalmente agredidos moralmente! A direção da escola,muitas vezes de omite de tomar uma atitude séria junto ao órgão competente,por puro medo!

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  11. Aqui em São Paulo ainda temos um agravante, chamasse Progressão Continuada, onde um aluno não pode ser reprovado em determinadas séries. Então vc imagina, já são mal educados e ainda sabem que não precisam fazer nada para passar de ano, podem tirar zero o ano inteiro, não apresentar nenhuma atividade ou trabalho e bagunçar o tempo todo que se tiver 75% de presença, sua promoção para o ano seguinte está garantida. Tenho uma turma que dos 35 alunos da mesma, apenas 2 estão interessados em fazer as atividades e prestar atenção nas explicações, os demais querem mais é bagunçar.

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  12. Eu defendo a instalação de câmaras de videovigilância dentro das salas de aula, podendo ser accionadas pelo professor a qualquer momento, sendo as imagens posteriormente usadas, se necessário, como prova.
    A punição deverá recair sobre alunos e pais que se prove terem sido negligentes na educação dos mesmos.

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  13. Concordo colegas com as opiniões acima citadas. Torna-se cada vez mais desestimulante ingressar na carreira do magisterio.

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